Adriano de Souza: “Quero me tornar o melhor brasileiro em tudo”

No início desta década, ele buscava os seus primeiros títulos na categoria iniciantes. A primeira conquista foi no A Tribuna de Surf Colegial, em 1999. Menos de oito anos depois, o guarujaense Adriano de Souza, o Mineirinho, confirmou que todas as apostas em seu nome eram mais do que certas. A grande revelação brasileira mostrou ao Mundo ser gabaritado ao título do WCT, alcançando a importante 4ª colocação no ranking, após as emblemáticas etapas de Teahupoo e Fiji.
E isso, disputando apenas a sua terceira temporada na elite mundial. Aos 21 anos de idade, o fenômeno brasileiro já foi o melhor do Mundo duas vezes. A primeira em 2003, ao faturar o título pro júnior, na Austrália, e a outra, dois anos depois, quando bateu o recorde de pontuação no WQS, para garantir seu nome no WCT.
Os planos para o futuro são ousados, mas feitos por estágios. Em 2006, em sua estréia entre os melhores, garantiu a importante 20ª colocação, sendo o único brazuca entre os 27 classificados pelo circuito. Além de seu talento nato e o importante patrocínio da Oakley, Mineirinho pode creditar o seu sucesso aos profissionais que o cercam, o que lhe garante pensar somente nas ondas.

Acompanhe entrevista feita por Fábio Maradei:

Esperava ser um top 4 logo no terceiro ano do WCT?
Acho que aconteceu muito depressa. Acho que a minha vida inteira aconteceu tudo muito cedo. Para mim não é muita surpresa estar no top 4 hoje. E como fui campeão mundial pro júnior aos 16 anos e era para ser com 21 ou com 20, como entrei no WCT com 18 e a faixa etária, em média, é de 23 anos. Então, tudo que aconteceu na minha vida foi muito cedo e acho que essa colocação é resultado de um trabalho muito duro, que venho batalhando muito nos últimos três anos e adquirindo experiência a cada temporada no WCT. Acho que esses dois últimos anos me deram muita carga para este ano e coloquei tudo de mim.

Você disse que tudo aconteceu muito cedo na sua vida. É só talento, é esforço, tem sorte, é dom?
É… acho que é um pouco de dom, talento também. Tudo isto misturado. Mas o importante é que está acontecendo um trabalho desde cedo. Se não fosse a minha base, não estaria onde estou. Eu me preparei muito para estar no WCT e, graças a Deus, hoje o quarto do Mundo, mas ainda tem muito circuito, tem mais sete eventos. Pode ser que eu vá para frente ou para trás. Então, a única coisa que tenho de pensar é em cada etapa. Jeffreys Bay é o próximo campeonato, onde tenho de colocar a minha cabeça, o meu foco. Minha prioridade hoje é só o WCT e vou continuar batalhando.

Sobre a sua base. Como foi esse planejamento na sua vida?
Começou aos 12 anos, quando fiz a minha primeira viagem à África do Sul, para Jeffreys Bay. Para mim foi muito legal, aproveitei aquela viagem ao máximo, vi o WCT, vi as pessoas competindo, o Renan (Rocha), o Fábio Gouveia, o Guilherme Herdy. Toda essa geração passada e fiquei acompanhando e não sabia o que estava fazendo ali. Hoje consigo enxergar que era para ver os meus passos futuros. Fui lá para aprender, ver como surfar a onda. Acho que todo esse contexto é fundamental para a nova geração. Com certeza, se o Brasil tiver mais esse exemplo, vamos ter muitos atletas com chances de estar no meu lugar.

Ainda falando do seu começo e voltando ao passado não muito distante, no início dessa década, quando você ainda estava na categoria iniciante, disputando seus primeiros títulos no A Tribuna Colegial, no Paulista e Brasileiro. Esperava tudo isso? Uma carreira tão premiada e enfrentar ídolos, vencer o Kelly Slater, por exemplo?
É difícil imaginar tudo o que passou na minha vida nesses seis, sete anos. Realmente foi tudo muito rápido, mas eu não abaixo minha cabeça nunca. Tudo na minha vida vem por estágios e estou tentando chegar ao topo. Ainda não cheguei, que para mim é o número 1 do WCT. Tem muita coisa para rolar e se eu continuar mantendo o foco, o ritmo e a mesma determinação posso chegar lá o mais rápido possível. Então, eu venho trabalhando muito, me dedicando e é a única fórmula para chegar ao número 1.

Sua vida sempre foi planejada. Já existe uma programação para chegar ao número 1 do Mundo? Tem uma estimativa?
Eu tenho, mas não gostaria de divulgar. Mas isto eu tenho em mente e vou buscando. Esse top 4 me deu muita motivação para continuar batalhando. Vi que o trabalho está dando certo, da forma que estou agindo, que estou atuando. Os resultados estão vindo de forma expressiva, como foi em Teahupoo, Fiji, onde sempre me dediquei ao máximo em me dar bem em ondas grandes. Todo mundo falava que eu era bom em onda pequena e eu já sabia que eu era ruim em ondas pesadas, sabe? Sempre trabalhei isso na categoria de base, foi duas vezes para Teahupoo, só para adquirir experiência e hoje consegui um quinto lá. Foi uma amostra de todo o planejamento que eu fiz, deu certo e que grandes resultados virão.

Mas esse número 1 deve chegar logo, rápido?
É rápido (risos). Com certeza. Nada está perdido ainda este ano. Ele tem três vitórias, mas tem sete eventos. Então, tem muita coisa para rolar.

Essa sua tranqüilidade e segurança em seu crescimento, também é resultado de toda a estrutura que você tem hoje, com o Pinga (Luiz Henrique Campos), seu manager, e com a Oakley. Detalha um pouco mais isso.
Minha relação com o Pinga vem desde os 10 anos de idade. A gente já está trabalhando há 11 anos. Como ele já trabalhava com outros atletas do WCT, como o Renato (Wanderley) e o Danilo (Costa), jogou toda a experiência que acumulou em cima de mim. Tudo o que o Danilo e o Renato não tiveram de oportunidade no início, eu aproveitei, até porque o mercado cresceu muito e as empresas estão ajudando mais os atletas. O Pinga investiu na minha carreira, com viagens internacionais para aprimorar o meu surf, ir crescendo a cada ano. Isso foi essencial para que eu chegasse onde estou. Todos esses passos que dei desde os 10 anos. Ele foi fundamental na minha carreira e continua sendo.

É quase um pai?
Sim. Temos uma relação muito profissional e sei que ele também é muito amigo, que posso contar com ele, em tudo o que acontecer na minha vida. Ele é um cara que ajudou muito na minha vida e devo muito a ele.

Agora, além do físico e de procurar as melhores ondas, se aperfeiçoar nas pesadas, como você falou, o psicológico é importante para se manter entre os melhores. Como é esse trabalho para enfrentar as etapas, para estar ao lado dos grandes ídolos.
Eu estou trabalhando muito também nessa parte psicológica. Eu faço um projeto há seis anos, o Instituto Marazul. Para mim o grande espelho foi o Renan, quando ele conseguiu o terceiro lugar em Pipeline. Ele mostrou a todo mundo esse projeto, muito bacana, para enfrentar ondas grandes, e peguei essa arma, esse exemplo, e coloquei na minha vida, na minha carreira e que hoje me deu grandes resultados. É um grande projeto e sei que posso contar com eles sempre em tudo o que precisar. Tanto no Brasil como lá fora, tenho contato com eles. O Doutor Marcelo (Baboghluian) é outra pessoa fundamental na minha carreira.

O que o Mineirinho espera do futuro, além de ser o número 1 do WCT?
Quero me tornar o melhor brasileiro em tudo, como o número de vitórias no WCT, como títulos. A única coisa que penso é me tornar o melhor brasileiro para dar exemplo para a nova geração.

Qual é a sua maior virtude?
Minha maior virtude foi ajudar a minha família, desde o início. O que me deixa fortalecido é ver a minha família bem.

Qual o maior defeito? E o que está fazendo para reverter?
Aí eu não sei (risos). Minha vida sempre foi competitiva e sempre estou errando e querendo aprimorar, melhorar. Na vida sou muito cabeça dura e, às vezes, me ajuda, às vezes me atrapalha. Quando penso numa coisa, poucas pessoas conseguem tirar da minha cabeça.

Qual o melhor momento até agora?
Foi ver a casa do meu irmão pronta

E o pior?

Graças a Deus, não tive.

FMA NOTÍCIAS – FÁBIO MARADEI (MTB 22.214)


Categorizado em:
Surf
Nenhum comentário
Deixe seu comentário
Compartilhe
Adicionar ao reddit Adicionar ao StumbleUpon Adicionar ao Technorati Adicionar ao Digg Adicionar ao del.icio.us



Nenhum comentário sobre “Adriano de Souza: “Quero me tornar o melhor brasileiro em tudo””

Deixe um comentário

(Obrigatório)

(Obrigatório. Invisível para outras pessoas)