Após triathlon olímpico, Reinaldo Colucci e Mariana Ohata comentam suas performances

Mariana Ohata foi a única brasileira da prova. Foto: Janos Schmidt/ www.triathlon.orgMariana Ohata terminou em 39º lugar (2h07min11s92) e o “calouro” Reinaldo Colucci acabou em 37º (1h53min13s94) na prova de triathlon nos Jogos Olímpicos de Pequim, disputada nos últimos dias 18 e 19 num percurso de uma volta de natação (1,5km), seis voltas de ciclismo (40km) e quatro voltas de corrida (10km). O sorriso no rosto e a sensação de dever cumprido não querem dizer que os triathletas brasileiros se contentam com pouco. Querem mais, sim, mas sabem que superar a si mesmo é uma das bases do espírito olímpico.

Mariana Ohata (Oakley) - A triathleta de 29 anos, não chega a comemorar sua colocação. Mas, em sua terceira participação olímpica, a brasiliense está certa de que cruzar a linha de chegada pode ser definido com uma só palavra: superação.

“Não foi exatamente como eu queria. Sofri muito. Tive um acidente na noite anterior à prova. Fui de carona de bike até o refeitório jantar, meu chinelo prendeu na roda traseira e senti o tendão. Já era tarde, nove da noite, e não tinha muito a fazer. Na largada da natação o pé já doía e o pedal foi pesado”, lamentou Mariana.

“Mas tenho certeza de que saio de Pequim como uma atleta melhor do que nas outras Olimpíadas. Progredi em todos os sentidos, como atleta e como pessoa. Minha bagagem de treinamento e experiência de competição pesam. Cheguei aqui muito mais tranqüila. Em Sydney eu era uma menina, hoje sou quase uma tia”, afirma, com bom humor.

Reinaldo Colucci (Oakley) - A sorridente “Tia Mariana” tem em Reinaldo Colucci, talento da nova geração de triathletas brasileiros, um de seus pupilos. Aos 22 anos, Reinaldo pagou caro pela inexperiência. Mas acredita que a vivência olímpica o credencia para sonhos mais altos daqui a quatro anos em Londres 2012.

“Se minha estratégia tivesse funcionado poderia ter ficado entre os dez primeiros. A idéia era ficar no primeiro pelotão na natação, pedalar forte, como fiz, e decidir a prova na corrida, quase ao meio dia com um calor de 40 graus. Mas na virada da bóia fui atingido no rosto com um chute, bem no meu óculos, não via mais nada e foi um bate-bate até o final”, lembra Reinaldo, que saiu da água em 46 entre 55 competidores.

Colucci compensou a prova com um pedal poderoso, o nono mais rápido da competição (58min28), recuperando lentamente algumas posições. “Fica a lição de que no alto nível, numa prova curta e forte como essa de distância olímpica, um erro custa caro. A distância entre chegar para o ouro ou fazer uma prova sofrível é um detalhe mínimo”, avalia Reinaldo, que recebeu alguns conselhos de Mariana.

“Olho para trás e tenho certeza de que a preparação foi perfeita até o dia da prova”, garante Mariana. “Infelizmente em uma prova individual, decidida em poucas horas, você tem que acordar no seu dia”, emenda.

Jeiju parece ser o novo paraíso do triathlon mundial. Pelo menos dez dos países participantes nos Jogos Olímpicos de Pequim escolheram a cidadezinha coreana para os últimos ajustes.

“Foram os americanos que descobriram Jeiju. Daí todo mundo foi atrás”, conta Reinaldo. Espiadelas no treino alheio à parte, a convivência com os adversários às vésperas dos Jogos foi encarada numa boa.

“Competimos sempre juntos, acabamos todos muito próximos. Tirando o pessoal mais reservado, claro, como os russos, que ficam sempre na deles e não falam com ninguém”, diz Reinaldo. “A gente até olha pro que o outro está fazendo, mas sem maldade. O que vale é andar rápido no dia da prova”, completa.


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